segunda-feira, 2 de março de 2009

Escrever...


A vida da gente parece cercada de surpresas; às vezes boa e muitas vezes má. Eu continuo escrevendo independente do que está acontecendo na minha vida. Tento fixar alguns temas bons em épocas ruins, para ver se equilibro minha vida, este é um exercício difícil.Escrever sobre o amor, na hora da dor; escrever sobre a vida, na hora da morte; e de sol, quando a minha vida está em plena tempestade. Remexo na minha inquisição particular, e tento resgatar coisas boas, mas a impressão que eu tenho é de que o texto ficou vazio, frio. Muitos lêem sobre meu amor, na época da dor e pensam, como é bom estar apaixonado, e penso, estou enganando bem!A verdade é que quem lê, é que sente; então não importa muito, quando não se está escrevendo sobre o que se está sentindo no momento; quem vai ler, vai colocar sua alma ali.Agora escrever sobre a dor, quando está doendo é mais fácil, mas se a vida da gente está conturbada quase que de maneira plena, só falaremos de tristeza, de problemas, que leitor vai querer ler só sobre dor, sobre doença, sobre morte, dívidas, desamor?Por isto pratíco o exercício do contrário, pra não cansar, pra esvaziar minha mente do que sinto no momento.
(Aline)



não é verdade que não escrevo quando estou feliz... mas, realmente, quando estou aflita, preciso dar mais vazão aos meus sentimentos que ficam guardados, oprimindo todo o resto de mim, concentração, pensamento, emoções...quando estou feliz não... vou sorrindo pela rua, cantarolando no ônibus, brincando no trabalho... os sentimentos bons, além de não oprimirem, fluem com mais facilidade com o mundo lá fora... então, não incomodam a ponto da gente ter que escrever pra descarregar a tensão, as aflições do dia-a-dia... mas fazem a gente ficar boba pro resto do mundo, ah, lá isso fazem... mas os sentimentos bons também nos trazem lembranças boas... e também formam lembranças boas pra gente guardar pra mais tarde... lembram a gente de como é bom estar entre amigos e compartilhar segredinhos, como se fôssemos, ainda, adolescentes... será que um dia deixei de ser?... não tenho certeza se cresci ou não... sei que tenho responsabilidades de gente adulta e que cuido delas da melhor maneira possível, nem sempre tão bem como deveriam ser cuidadas, mas me esforço... mas não sei se saí dos dezessete anos... acho que parte de mim travou lá atrás e se recusa a andar... é por isso a cara de boba dos momentos felizes... adolescentes não têm muita noção de ridículo, assim como também não têm do perigo... e acho que estou curtindo um bom e típico momento adolescente... levinho, esquecendo das coisas ruins... esquecendo que amar pode doer, que as pessoas às vezes se magoam, mesmo sem querer, e que nem tudo é o que parece ser... mas por mais que eu aprenda isso, parece que faço questão de esquecer, necessidade tamanha que tenho de voltar a acreditar... não que o mundo é perfeito, mas que a vida pode ser mais feliz, que os problemas podem ser pequenos e resolvíveis, e que a gente pode, enfim, voltar no tempo e ter dezessete anos novamente, ou seja lá que idade cada um quiser ter... porque existem coisas boas na vida... aquelas coisas boas que a gente já sabe que existem, amigos, família... coisas boas que a gente já tinha esquecido que existiam... e coisas boas em pessoas que a gente nem sabia que iria encontrar por aí... a vida às vezes dá umas sacudidas na gente... mas também nos reserva sempre novas surpresas... e que capacidade maravilhosa é essa da vida, que nos surpreende quando a gente acha que já sabe tudo, que já viu de tudo, que está desiludido... ilusão ou não, as surpresas da vida valem a pena ser vividas, guardadas e revividas depois na memória, quantas vezes forem possíveis... pois bons momentos são assim... se perpetuam na lembrança e duram pra toda a eternidade... e os maus momentos, esses viram aprendizado e fazem a gente ser melhor pra todo o sempre... então, nesse meu bom e eterno momento, deixo um pouco a escrita de lado e fico, assim, deixando o fluir a vida em mim...
(Ana)




A tristeza é uma senhora voraz. De qualquer coisa se alimenta, qualquer espaço, se a gente deixar, ela ocupa. Por isso quando estou triste não escrevo, não dou a ela minhas palavras, não a enfeito e nem maltrato. Nunca se sabe, vai que ela se irrita e além das palavras devora minha vontade de escrever. Às vezes quando sinto que ela já está indo embora, malas bem fechadas, arrisco uma ou outra palavra, sempre com cuidado, ela pode voltar.
Já a felicidade é diferente, caprichosa, qualquer coisa a espanta. Passarinho ou borboleta, até quando se percebe observada se assusta, vai embora. Quando estou feliz aí é que não escrevo nada, fico quietinha, finjo que nem notei sua visita, mas não sou indelicada, trato-a bem, agradeço sempre, procuro deixar a casa preparada para a sua volta. Tanto uma quanto a outra sempre voltam, isso é estar vivo.
Mas já que estamos revelando segredos, tenho que admitir que a minha escrita é quase sempre egoísta. É um momento de intimidade comigo mesmo e, que ninguém fique triste, dificilmente penso em quem vai ler, se pensasse não sairia uma linha.Depois de pronto aí sim, o texto muda de dono, pertence ao leitor e eu fico muito, muito feliz de não possuí-lo mais...
(Neysi)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Vinho


Meus olhos piscam rapidamente fechados
Sinto uma dormência em 1/3 da minha bochecha,
Minha boca cerrada pesa sobre meu rosto
Estou entorpecida
Minhas pernas não se movem, meu corpo inerte fica congelado
Meus braços sobre meu rosto, não consigo pensar em nada
Só no corpo, que adormecido pelo vinho; teima em ficar parado.
Penso se vou para Bahia ou não, para Vitória, Rio de Janeiro, uma semana de descanso.
Sei que é o vinho a percorrer meu corpo torpe.
Nada a mais além do barulho da minha filha viva, usando o andar de baixo.
Psicografo meus sentimentos, minhas sensações, o vinho correndo nas veias; e só penso: que bom adormecer.
Tudo cinza no banheiro
Não sei o que será de mim, vida! Morte! Sei que estou aqui sentada no banheiro, esperando, reunindo força para ir pra cama.
Dormir e esperar que o Merlot alcance seu ápice e que eu me encontre novamente em mim.
(Aline)

embriaguez... não sei se é a minha cabeça se gira enquanto me centro nos pensamentos ou se são meus pensamentos que me rodeiam enquanto tento repousar minha cabeça num lugar só... as faces enrusbescem, o rosto esquenta... os gestos ficam mais espontâneos, as palavras saem com mais facilidade da boca... tudo fica mais rápido e ao mesmo tempo, tudo acontece em câmera lenta... nem tudo que se ouve, se faz, se vê, se fala, faz sentido... o mundo ganha formas e cores mais vivas... vivas até porque elas insistem em se mexer, mesmo quando a lógica nos diz que deveriam estar paradas... é uma dança no limiar da conciência e do sonho, onde ora se valsa de um lado, ora se resvala pro outro... a vontade é de voar pelo céu estrelado ou de se deixar flutuar num mar calmo, abandonando-se às doces sensações de uma dimensão quase paralela, com pouca censura e pouca ordem... até que o dia seguinte traga a turbulência da tempestade e as ondas do mar revolto diretamente para a mente plácida que agora tem certeza, gira,gira, gira...
(Ana)


Sexta feira, manhã, chuva fina. Casacos. Nem parece janeiro. Será que existem janeiros nessa terra de araucárias? Se der sol amanhã vou até o litoral, Ilha do Mel, eu ainda não conheço. Sexta feira, frio e chuva fina, há um mês venho repetindo que se der sol vou a praia, há mais de um mês todo sábado chove e eu procuro essa tal beleza que Fernando Pessoa garante, os dias de chuva também tem.
Trabalho. Dias de chuva são bons para trabalhar e dormir. Pode ser. Eu prefiro sol!

“Tenho uma dor nos ombros toda vez que como tomate”
-?
“Hoje eu comi salada, não vi que tinha tomate, quando eu percebi tinha comido tudo, agora estou com dor nos ombros”
Penso rápido, o que será mais sério, ombros que doem com tomate ou o fato de numa salada não enxergar justo o vermelho e discreto tomate. Conto até dez... é a primeira do dia.
“É que quando alguma coisa encosta nas minhas pernas eu vomito”
-?
“Qualquer coisa, até o meu cachorro”
Mais uma. Conto de novo até dez, mantenho as minhas pernas bem quietinhas debaixo da mesa, não vou chutar as canelas da moça, vai que é verdade...
“Eu estava com dor nas costas. Aí fui numa benzedeira...”
Começo a contar de novo. Hoje o dia não está bom.
“...aí ela me fez uma massagem, só que pelo ânus. A dor subiu pra cabeça...”
Sem comentários, Perdi a conta, aliás contar para que...
“ ou será que essa dor é porque eu levei muito tapa na bunda quando era criança?”
E eu não bebi, nem hoje, nem ontem, nem anteontem...talvez devesse.

Sexta feira. Janeiro,nuvens cinzas. Frio. Eu quero ir a praia, eu quero ir para casa.
“Mas frio é bom, você bota aquele chalé lindo que comprou na feirinha...”
Conto até cem, preciso de mar, areia, um horizonte azul...
“Pode tomar um vinho, frio é bom para vinho...”
e para dormir agarradinho, conto até mil...que seja!
(Neysi)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Ano Novo


ano novo, ana nova


geralmente, minha maior expectativa para o natal é que depois que ele passa, começa a contagem regressiva para o ano novo... ah, essa data sim traz consigo a maior representatividade de todas as outras datas comemorativas do ano... é meu marco... é o momento de deixar pra trás tudo aquilo que me incomodou, é o momento de olhar pra frente cheia de esperança de que posso viver minha vida de acordo com novos padrões... nesse dia, tudo passa pela minha mente, passado e futuro se encontram pra depois tomarem rumos diferentes... meu momento de ritualizar... meu ritual de passagem... energizar... deletar aquilo de que preciso me desfazer, projetar aquilo que preciso realizar... entrar e sair numa fração de segundo de uma realidade a outra... mesmo que não mude nada realmente, naquele pequeno segundo, concentro todas as minhas esperanças e me faz bem pensar que funciona... e talvez funcione mesmo, em algumas coisas, mesmo que sejam pequenas... funciona pelo menos na hora de repensar a vida, o último ano, arrumar as coisas nos seus lugares, limpar a mente pra uma nova etapa, deixar a luz entrar, arejar todos os ambientes da minha alma... fazer um check list em mim mesma... e está chegando, um novo ano, uma nova ana... e que seja feliz... pra mim, pra todos nós... e que eu seja feliz, junto com todos vocês...
(Ana)



Ano Novo, Espero que Aline Nova!


Todo ano, depois do natal, que pra mim sempre significou um tempo e esperança maior que o ano novo. Preparo-me para a virada do ano. Tenho meu próprio ritual, e não inclui, comer sete uvas, pular ondas, comer lentilha, subir no banco, pular no pé direito. Para entrar bem no ano seguinte.
Eu simplesmente escrevo metas, na verdade dez metas para o ano seguinte. Nela mentalizo tudo que desejo mudar ou conseguir. Arrumar um emprego ou mudar de emprego, os benefícios que quero da nova empresa, como gostaria que fosse meu chefe, se vou fazer algum curso novo; quantos quilos eu vou querer perder; tudo escrito ali, na primeira folha da agenda, na folha de rosto, pra quando abrir a capa, dar de cara com minhas metas, durante todo o ano vindouro.
Ao longo do ano, vou ticando cada meta alcançada. Bem! Há dois dias atrás vi a principal meta para o ano seguinte já escorrendo pelo ralo, antes mesmo do ano começar.
Me deu uma angustia tão grande, ver meus planos pro ano seguinte escapar das minhas mãos ralo a baixo, sem eu ter nem um fiozinho para segurá-lo. Simplesmente fiquei chocada, chorei, chorei mais um pouco, e ainda estou com aquele aperto no peito, como criança fica, se alguém não lembra do aniversário dela.
Eu termino meu ano velho, sempre sem questionar muito, simplesmente abandonando tudo o que já passou. E vocês tenham a certeza de que o não de 2008, eu vou fazer questão de ESQUECER. Vou tomar banho de sal grosso, banho de abre caminho; vou à casa de umbanda e vou comprar pra mim muitas ervas, pra ver se 2009 eu recupero tudo que perdi em 2008, não tikei nenhuma das minhas metas neste ano. Um ano terrível, e pelo visto pro país todos.
Hoje, exatamente agora vou fazer minha lista pro ano de 2009, aqui vai ela:

· Emagrecer muito, tudo o que der e voltar a me encontrar no meu próprio corpo;
· Arrumar um emprego, pois estou com a mente desocupada, e virou oficina do diabo.
· Recuperar minha saúde
· Recuperar minha auto-estima.
· Viajar e ir encontrar minha prima Neysi, que não vejo a anos.
· Recuperar tudo que eu perdi em 2008, meu nome, minha dignidade.
· Carro novo, eu quero um!
· Quem sabe uma abdominoplastia, pra poder usar todas as minhas roupas que além de não servirem, não ficariam bem, com esta pele sobrando bem de baixo do umbigo! rs
· Terminar meu livro e procurar uma editora, quem sabe encontrar uma nova profissão.
· Ver a peça que escrevi em cartaz!

Faltam apenas dois dias pra 2009 começar, espero que este ano seja o ano da vira, pra mim, pra você, a todos os brasileiros que tiveram um ano que merece ser esquecido!
Feliz 2009!
(Aline)





Ano Novo, agenda em branco, doze páginas para virar no calendário
sobre a mesa e a sempre bem vinda ilusão de poder zerar tudo, deixar
o velho para trás, recomeçar. E por que não? Somos teimosos,
recomeçaremos sempre, do zero ou do cem, iremos saborear o novo,
respirar fundo o ar que nos parecerá mais limpo, estrear a roupa ,
repetir os bons votos de sempre e tocaremos em frente...feliz ano
novo!
Vou molhar meus pés num oceano imaginário e levar rosas brancas para
Iemanjá. Vou pedir pela nossa saúde, pelo amor, pela paz e pela
prosperidade. Quem sabe ano que vem ela me dá a chance de um mar de
verdade. Não farei outros projetos nem desejarei nada mais, receberei
2009 com boa vontade, de coração aberto, imersa na fantasia do novo
...pensarei em vocês...seremos felizes todos!
(Neysi)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

espelhos


cresci no meio de muitos exemplos... exemplos a seguir e exemplos de não fazer... cresci no meio de muito amor... amor generoso, com doação e sacrifício... amor cuidadoso, com zelos e seus excessos... amor abundante, servido com fartura de quase enfastiar... amor sempre crescente, receita que levava fermento, de bolo, de pizza, fazendo crescer a massa... me fazendo crescer... e foi assim mesmo que cresci, no meio de conflitos... meu espelho era um mosaico... meu reflexo, sempre múltiplo... meu espelho renegava o seu presente fragmentado... reclamava pela sua superfície lisa, perdida num passado remoto... perdia, dia-a-dia, as esperanças de um futuro pleno... a cada vez que meu espelho se partia se somavam sete anos de azar... e foram tantos fragmentos que nenhuma existência duraria tanto... os sete anos de azar de cada caquinho foram se concentrando tanto que o espelho ruiu... e eu que era só reflexo, e mesmo assim me rebelava contra ele, acabei me tornando espelho... minha superfície já não nasceu lisa... ondulava, era incerta, deformava imagens, lembranças... e fui me partindo, como o espelho que me refletia... espelho que eu não queria ser... o meu avesso... minha auto-afirmação que sempre fora a negação do meu espelho, se refletia igual a ele... no lugar da minha própria imagem, um vazio, múltiplo vazio... fragmentos, conflitos... mas tinha o amor, havia os exemplos... e foram eles que me sustentaram... minha moldura... ainda não dá pra confiar na imagem que meu espelho reflete... mas despedaçar ele não vai... e os sete anos de azar?... deixo pra quem acredita... os que tinha que viver, eu já vivi... agora, eu sou amor e exemplo, unidos numa superfície só...
(Ana)



Virtual


Olho todo dia o espelho. Às vezes me reconheço, às vezes não. Como é mesmo esse rosto que tenho? Quem você vê quando olha para mim? Estaremos juntas, um dia, as três: a que vê, a que é vista e essa outra que é só reflexo. Então, trocaremos de lugar...

***
A boca. Os olhos. A curva dos ombros, os pés...Um rosto, meu rosto... Desmonto meu quebra-cabeça: águas de Narciso, espelho de Medusa, salvo-me pela fragmentação.Em lugar nenhum sou inteira. Construo um ser ao meu gosto e tudo me serve de espelho.Cabelos, pescoço, olheiras que deveriam ter sido transitórias.Reflexos, miragens, tudo parte de mim, fragmentos sem sombras. E essa dor inexplicável de existir, em algum lugar, de alguma forma
(Neysi)




O espelho que me reflete, não tem forma certa, hora reflete uma pessoa boa; generosa; que quer o bem de todas as pessoas que me cercam, e ora reflete a imagem de uma invejosa.
Não agüento ver pessoas apadrinhadas conseguindo vagas de emprego que os pobres mortais como eu, não conseguem.
Pessoas que como eu tem que ralar muito pra ter o que tem. Meu espelho está torto, está quebrado, assim como meu orgulho.
Tive exemplos de luta em todos os lados da minha família, mãe e tios, primos, todos ralando. Tive exemplos ruins do meu pai, de que a vida é mais fácil, passando as pessoas pra trás. Roubando dos próprios filhos, roubando amor, dinheiro, dignidade.
Se meu espelho hoje estivesse inteiro, ia refletir uma pessoa em cacos. Que não tem nem como se mover, pro restinho do mosaico não se desfazer. Cacos! Às vezes é bom, já que não tem mais onde quebrar, o que podemos fazer, é começar a colar e se por de pé novamente.
E assim meu jarro de vida, vai sendo colado. Ele está remendado a muitos anos, e continua tentando não deixar escapar a água, que às vezes jorra pelos canais lacrimais. Nem sei como cheguei aqui, nem sei se algum dia estive inteira! Sou apenas um reflexo da situação da maioria dos brasileiros, todos lutando para se manter de pé, pra pagar as contas, pra sonhar com um futuro melhor.
Calma! Que eu tenho pressa. Tenho pressa de me colocar na batalha de novo, de fazer meu futuro bom, ser amanhã. Fazer com que meus sonhos profissionais se realizem, que meus cacos virem logo um jarro inteiro, com marcas quase imperceptíveis.
Este espelho que sonhamos desde que aprendemos a nos olhar nele, mostre uma pessoa mais feliz e mais forte.
(Aline)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Reticências, entrelinhas, verbos...


Reticente...

minha marca textual são as reticências... em todo texto que escrevo, elas estão presentes... entre uma frase e outra, entre um pensamento e outro... não sei bem o porquê... mas acredito que seja porque me parece injusto terminar uma frase com um ponto final... a mim, o ponto parece limitar o conteúdo... e a idéia vai sempre mais além... nos meus textos, há um infinito espaço a ser preenchido por quem lê... o espaço das reticências... das idéias que ficaram subentendidas, das imagens que vieram a mente, dos sentimentos que foram despertados, das tensões que foram criadas... espaço que não é pra ficar vazio... que não tem formatação convencional... que segue ritimado pelos três pontinhos entre um momento e outro do pensamento... mas a expressão pessoa reticente me incomoda... sempre a vi com um caráter negativo... idéia de alguém que nunca diz tudo, que não completa seus pensamentos, que está sempre deixando a entender, insinunado coisas... não queria ser reticente, duvidosa... na minha personalidade, quero sim ter pontos bem definidos... idéias de início, meio e fim... dois pontos, pausa, parágrafos, travessões, hora pra falar, hora pra narrar, momento de finalizar idéias... na minha vida, não sou reticente... sou sim é mais incisiva, mais direta, mais bem definida... só que o que me ajuda a me definir é exatamente o que escrevo, pontuado de reticências...
(Ana)



Básica

As primeiras coisas que escrevi eram assim, carregadas de reticências. Uma amiga me disse que era um recurso pobre do ponto de vista da língua, ela preferia a precisão das frases bem pontuadas. É claro que eu me lembrei de belos textos cheios de reticências, mandei um poema de Quintana para ela, mas o fato é que as reticências foram sumindo do meu texto à medida que a minha confiança foi aumentando. Percebi que um ponto não matava uma idéia. Não sei a escrita melhorou ou não, mas talvez a falta delas, aliada à minha implicância com os adjetivos e a minha inabilidade ou impaciência com figuras de linguagem, tornaram meu texto sintético e seco. Talvez por isso prefira a poesia. Ou a tentativa dela.
Na vida não sou tão despojada, nem tão objetiva. Como boa libriana hesito sempre, sou a reticência em pessoa.Mas nisso com certeza eu melhorei, idade tem que trazer alguma vantagem, então se é para decidir ,escolher, tento fazer logo. Mas conservo algumas reticências de estimação e gosto de brincar com as entrelinhas. Talvez seja o que eu saiba fazer melhor...
Ah, e que não restem dúvidas: Aninha, adoro suas reticências!
(Neysi)




Pontuando a vida

O verbo é o início de tudo, é quando começa a história de cada um, um nome, um significado, o depósito de esperança. Nasce o novo, e assim começa nossa vida.
Como vamos escrevendo este livro,é o que nos diferencia um dos outros. Pensando na minha pequena obra, hoje sei que ela está cercada de pontos finais. A cada estrada que eu percorria da minha história, havia sempre um ponto final pra cada etapa; aprendi aos poucos que o ponto final fazia parte de tudo, e que não indicava o fim extremo, e sim a possibilidade de começar de novo, de iniciar um novo capítulo, uma nova jornada.
Cada história teve muitas virgulas, onde eu tomava o fôlego para continuar as vivências, para respirar e até para tentar aliviar as dores de cada narrativa triste. Onde eu podia absorver o ar e olhar em que direção eu deveria seguir. Mas os pontos finais, logo se apresentariam. E muitas vezes só suportei cada etapa desta marcha, porque acreditei que eles estariam próximos, à distância de uma curva, de mais um passo.
Hoje, quando estou percorrendo meu caminho, e nuvens pesadas se aproximam, consigo apreciar as virgulas e esperar que o ponto final chegue. Meus passos diminuem, não tento mais fugir dos percalços, só respiro fundo e penso que a chuva vai cair, que os ventos vão soprar, mas que logo ali na frente eu encontrarei o tão esperado ponto final. Virgulas e pontos finais, minha biografia está cheia deles, e eu me orgulho disto.
De verbo me tornei adjetivo, substantivos e me recriei em novos verbos, em novos pontos e assim continua meu pequeno conto, até que a última pagina seja preenchida.
(Aline)

sábado, 22 de novembro de 2008

Desenhos


sempre fui cercada de pessoas que sabiam desenhar...minha avó pouco sabia do mundo dos escritos, mas desenhava cada letra de seu nome ao assiná-lo, para não fazer feio... meu pai, de mãos rudes de fazer artes mais brutas, em ferro e madeira, sabia desenhar peixe e passarinho... seres de sua infância mineira, com os quais conviveu muito de perto... minha mãe dizia que não sabia desenhar, mas era mentira... seus desenhos, como ela, não tinham traços reais, mas possuíam uma estética infantil, que não era menos verdadeira, nem menos bela... minha irmã desenhava de tudo, fisionomias de cabeça com as expressões que guardava na memória, seres estilizados que dançavam em roda, imagens que queria ter vivido, traços encadeados... meu irmão desenhava a perfeição, cavalos, cachorros, mulheres, tudo perfeito, com movimentos técnicos... eu desenhava cópias, observava e tentava imitar... as letras da minha avó, os peixes e pássaros do meu pai, as bonecas e casinhas da minha mãe, os traços livres da minha irmã, o tecnicismo do meu irmão... meu amigo querido, esse eu já tinha esquecido que desenhava, só tinha na memória uma vaga idéia de que já vira desenhos dele, mas não sabia se era realidade ou imaginação... já recebi muitos desenhos que não guardei, pessoas especiais que eu perdi sem querer em alguma gaveta... os que vieram depois de mim também desenham bem.... minha filha, quando pequena, não desenhava gente, só paisagens, hoje é ela que faz os cartazes dos trabalhos de grupo da escola... meu filho, quando bebê novinho, fechava linhas em círculos, adiantando-se ao seu tempo, hoje já pinta dentro das linhas e gosta de desenhar carros, famílias e casas... meus amigos e filhos eu não copio, mas admiro... absorvo, me transformo... os entendo através dos desenhos... os meus verdadeiros traços são sempre linhas perdidas que se emaranham... não têm começo, partem de qualquer lugar e nunca sei onde vão terminar... começam, às vezes, curvos, terminam retos... ou ao contrário, tanto faz... vão se amontoando e se completando até tomar todo o papel... às vezes têm olhos, bocas... mas nunca têm rostos inteiros... já fiz muito desenhos em linhas simples, quase contornos, para montar alfabetários, ajudar meus alunos a entender as letras e seus sons... é muito mais fácil ler desenhos do que letras... existem pessoas que vêem significados nos desenhos... compreendem a alma das pessoas através deles... deve ser verdade... minha alma, eu não sei onde começa, nem termina... e já quis tanto ser igual... mas por qualquer motivo me embaralho e me espalho pela superfície lisa que bem poderia ser a de um papel... mas me mostro com muita facilidade em contornos de linhas simples... hoje, minha vida se desenha em labirintos, perlês de confeitar bolo e bordar tecidos... com uma necessidade imensa de preencher os espaços vazios... meu desenho ainda é incompleto e sempre o será enquanto ainda houver papel e detalhes minuciosos para completar... enquanto ainda houver grafite... até a mão não ser mais firme... enquanto houver alma pra desenhar...
(Ana)


Imperícia; falta de talento, falta de segurança. Nunca fui boa em desenhos, nem mesmo na escola. Lembro da recuperação na sétima série, na matéria DESENHO. Se na mão falta habilidade para desenhar, imagina segurar um compasso e fazer dele uma extensão de minha mente.Não daria certo mesmo. Mas juntamente com o sonho de bailarina que não sentia dor, existia e ainda existe o sonho de desenhar, de colocar no papel o que minha arte deseja. Poder perpetuar meus pensamentos e minhas cores. Não é falta de amor ao desenho não, minhas telas a óleo mostram isto, se gosto de pintar, todos acabam achando que sei desenhar. Minha poesia cabe nas cores, mas não nos traços que tento com eles expressar.Garatujas, não passam de garatujas. Pra fazer um quadro mais elaborado, tinha a folha de papel vegetal, papel carbono verde e xerox ampliado. Sabe o papel quadriculado? Nem com ele conseguia copiar nada. Nunca, nem uma casa, nem um barco, nem uma árvore, nem um passarinho e nem uma borboleta dentuça como as da minha filha. A tartaruga que bebe água com a língua pra fora. Nada disto, saiu de dentro das articulações da mão, coordenação motora, pra desenho, nenhuma. As aulas lá na escola técnica de publicidade do Rio, foram testemunhas do suor que escorria da face, não pelo calor do verão do Rio de Janeiro, mas pela inabilidade de colocar no papel a luz e a sombra do desenho que tinha que reproduzir!Quanto orgulho do meu equipamento de nanquim emprestado pela tia Arquiteta, minha pasta A4, meus lápis, mas na hora de usá-los o sofrimento de produzir algo medíocre.Já pensei em fazer um curso, já vi até o preço, mas é como cantar, outro sonho de criança. Pra conquistá-los vou ter que me expor na frente de outros. E aí, emperra.Posso mostrar-me aqui, nas palavras, nos sentimentos e na verdade que saí do coração, mas estou só. Só como nasci e como vivi, a minha arte nasce da solidão, da música que toca dentro de mim.Meus borrões! Guardo pra mim, dentro da caixinha destinadas a eles. Caixinha tão bem guardada que nem sei onde ela está e ainda não consegui procurá-la. Nanquim, carvão, lápis de cor, hidrocor, guache, tinta óleo, acrílica, todas vão morar em mim e peço a vocês, deixe-me usá-las só nas letras e no que meu coração insiste em sentir.Desenhar, quem sabe um dia, assim como cantar!

(Aline)

Eu gostava de desenhar. Talvez fizesse isso bem, ou talvez convencesse pela insistência. Eu particularmente nunca achei meus desenhos bons, mas isso não importa. Cada cantinho de papel vazio ganhava mesmo sem pedir um desenho, assim lá estavam, com tinta de caneta esferográfica, os colegas de turma, os professores, figuras de braços enormes, contorcidas como se fossem de borracha. olhos e espirais intermináveis. Meu filho faz o mesmo, somos, pelo visto, dois sonhadores desatentos.
“Faz o aí o rosto do Papa, o D. Pedro I, o homem das cavernas! Não diga que não sabe, sua tia pediu, você rabisca o tempo todo, na hora que precisa é essa má vontade...” É, tinha o lado ruim também, mas acho que não foi por isso que parei de desenhar, fui perdendo a vontade e a necessidade de fazer. Fui perdendo também o tempo ocioso ao lado de papéis e lápis, não somos mais tão íntimos.
Hoje aprecio os espaços vazios. Até para escrever uso poucas palavras, faço com elas um contorno para o silêncio e só. Por isso demoro tanto a atualizar esse blog...se ficasse por conta das meninas teríamos quase todos os dias bons textos.
(Neysi)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Clarissa


Uma menina sempre animada. Aquela que fala, fala de manhã enquanto todo mundo ainda está dormindo. Uma menina de bom coração e boa vontade.
Não é nada sem amigos. Mesmo que ás vezes precise “autistar” um pouco, seja falando sozinha, rindo sozinha, ou escrevendo no quadro negro. Mesmo sendo quieta para uns e animada para outros, sempre com seu jeito um pouco louco de viver a vida.
Uma menina que te faz rir, a que ri junto e chora junto, a que te protege, te escuta e te entende. Fala um monte de besteira, gosta que a escutem. Sabe amar, sabe ser amiga, sabe ser de tudo um pouco.
Nem sempre se expressa através de palavras, muitas vezes é através de uma simples ação no dia-a-dia, um simples sorriso ou olhar. Mas uma menina com um ENORME coração.
Ama esportes, vôlei é sua paixão. Ama a família, amigos, e apaixonada pelo verde da vida. Adora brincar, adora mistério, adora investigar e adora aprender. Um tanto curiosa.
Não consegue ficar parada, não é NADA normal. Gosta de ser diferente. É tímida mas muito alegre. Louca?? Não, apenas feliz.
Ninguém sabe o que se passa pela sua cabeça. Pensamentos confusos, um monte e coisa ao mesmo tempo.
Gosta de pensar em como é bom ter amigos. Lembrando sempre que conhecer muita gente não é o mesmo que ter amigos. Se baseia em: “Viva cada minuto de sua vida como se fosse o último pois nada se sabe sobre o dia de amanhã.”
O que fala é desorganizado e sem sentido. Entendê-la? Quase impossível!
(Clarissa)